LIVROS E EVENTOS CELEBRAM 150 ANOS DE EUCLYDES DA CUNHA

Em 1898, uma enchente levou a ponte de São José do Rio Pardo (SP). O enviado para recolocá-la de pé foi o escritor e engenheiro Euclydes da Cunha – que anos antes testemunhara a Guerra de Canudos. Na cidadezinha, ele ergueu a ponte e sua obra-prima: Os Sertões (1902), em que narra a luta das forças republicanas contra os fiéis de Antônio Conselheiro.

O autor de um dos marcos da literatura nacional completaria 150 anos em 20/01/2016. A comemoração é composta de atrações que se desdobrarão ao longo do ano. Três novos livros estão vindo por aí, e a cidade de São José do Rio Pardo vai celebrar a data.

A Casa Euclidiana, centro cultural localizada onde o autor escreveu Os Sertões, sedia eventos em memória do escritor. O auge ocorre na semana de 9 a 15/8 – quando a cidade promove, há quase 70 anos, a “Semana Euclidiana”.

Em março, a Unesp começa a editar a prosa completa de Euclydes acrescida de inéditos – em vários volumes, organizados por Leopoldo Bernucci, pesquisador da Universidade da Califórnia em Davis, e Felipe Rissatto, euclidiano independente. “Além dos inéditos, o primeiro tomo trará ensaios conhecidos, mas em versões diferentes”, afirma Leopoldo Bernucci.

O pesquisador publica ainda neste ano seu livro “Um Paraíso Suspeitoso”. Nele, Bernucci traça a relação entre o escritor, o poeta colombiano José Eustasio Rivera e o brasileiro Alberto Rangel -que, como Euclydes, denunciaram a escravidão nos seringais da Amazônia.

Também é este o ano de revisitar a “tragédia da Piedade”, episódio no qual Euclydes flagrou sua mulher, S’Anninha, com o amante, Dilermando de Assis, e acabou morto por este. Anna Sharp, neta de S’Anninha, prepara, para o meio do ano, um romance contando a história do ponto de vista de cada um dos vértices do triângulo amoroso.

O livro é baseado em um diário da avó encontrado em 2014. “Receber o diário dela foi um sinal”, diz Anna Sharp.

(Fonte: Maurício Meireles, colunista. Folha de São Paulo, 20/01/2016)

Caderneta Euclides

Desenho do Arraial de Canudos, feito por Euclydes da Cunha da perspectiva do Morro da Favela. Facsimile de caderneta do autor.

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