AOS CANALHAS QUE QUEREM DESTRUIR A PETROBRAS

Com o título de “Aos canalhas que querem destruir a Petrobras”, o jornal digital Brasil 247 publicou nesta terça-feira, 03/2, texto de um dos jornalistas que faz a diferença em meio ao blá blá blá da dita crise moral do governo Dilma: Mauro Santayana, 83, colunista político do Jornal do Brasil e comentarista de Carta Capital. Paixões políticas à parte, o texto de Santayana é daqueles que valoriza a perspectiva histórica, ajuíza dados e fatos para solidificar os argumentos e, verdadeiramente,  bota a cabeça pra pensar…

 

     O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.

     A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.

   E, naturalmente, as novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

     O que importa mais na Petrobras?

    O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?

     Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.

    Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.

    Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?

    Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?

     Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?

     Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?

     Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?

     Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?

    Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?

    Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?

     Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?

    Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?

     É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.

     A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.

     É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.

    As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.

     Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.

     Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.

     Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.

     E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.

     Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.

     Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.

     Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.

     A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.

     E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.

     A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.

     Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.

    É necessário punir os ladrões que a assaltaram?

     Ninguém duvida disso.

     Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.

     A Petrobras não é apenas uma empresa.

     Ela é uma Nação.

     Um conceito.

     Uma bandeira.

     E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.

     Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.

    E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

 

SUCESSÃO

 

Por estes dias em que me ocupo entre encerramento do semestre acadêmico e algumas viagens, tem sobrado pouco tempo para dar o ar da graça por aqui. Também por isso, continuo aproveitando para dividir algumas leituras feitas ao correr do tempo. A crônica seguinte é do Luis Augusto Fischer e saiu na ZH de domingo, 09/11/2014. Ainda é sobre o resultado da eleição e há, nela, alguma coisa de geração que o Fischer pega muito bem, como sempre. Segue a reprodução.

     A derrota da candidatura de Tarso Genro ao governo do Estado (e a de Olívio Dutra ao Senado) me deixou com um desconforto que ainda agora estou tentando entender. Não se trata apenas da derrota dos candidatos da minha predileção, nem da vitória do Sartori, a quem, falando nisso, desejo um excelente governo, esperando que se cerque de gente boa e faça o que cabe fazer. Para a Cultura, não são poucos nem são fracos os potenciais secretários. Na minha área, estão aí José Fogaça e Sergius Gonzaga, duas figuras de primeiro nível.

     E, bem, não estou aqui para dar palpites, nem o futuro governo precisa deles, bem sei. Quero é tentar encontrar o fio da meada do meu desconforto. Onde ele começa?


     Acho que é uma certa sensação de orfandade o meu ponto. O primeiro enunciado me surgiu assim: bá, os meus candidatos, agora derrotados, andam na volta dos 70 anos. É certo que hoje em dia ter 70 anos não impede nada em matéria de vida produtiva, até na política, essa arena tão particular e agora tão rebaixada da vida. Mas mesmo assim aos 70 anos a curva da vida é outra que aos 50, nem falar dela aos 40 ou 30. (E aproveito para desejar vida longuíssima e fértil aos setentões em causa.)

     Tarso, Olívio, Raul Pont, Flávio Koutzii, para ficar nos mais notórios líderes petistas do Estado, vêm de pendurar as metafóricas chuteiras eleitorais. O Flávio já tinha largado quatro anos atrás, agora foi o Raul, e os dois se somam aos derrotados de agora. Minha pergunta é: o que se aposenta com eles?

      Não sei responder. Certo que há setentões e mesmo oitentões na ativa, no PT e em outros partidos palatáveis para um eleitor e cidadão como eu, capazes de vir a fazer coisas boas e importantes na gestão pública; mas algo se perdeu nas derrotas e aposentadorias aqui evocadas. E me dou conta de que estou fazendo é um balanço da minha geração.

     Nós, que andamos entre os 50 e os 60, mais ou menos, quem somos, na arena da política? Sem citar nomes, porque não se trata disso (meus deputados são da minha geração e são gente de valor), penso que não obtivemos mais a síntese que os aposentandos eram e simbolizaram – de algum modo, eles reuniam em si as características de serem ao mesmo tempo gente de ação e de formulação, de eleição e palanque, como de pensamento e crítica teórica. Uns mais, outros menos, essas figuras foram e são a maturidade, talvez o zênite, de um específico jeito de ser de esquerda depois da II Guerra Mundial – e aqui é inevitável ajuntar o adjetivo “sartreano” a esse jeito.

     Com o Olívio, o Tarso, o Raul e o Koutzii deu sempre para falar de um grande romance, um filme marcante, um poema, tanto quanto para formular uma leitura da conjuntura política de varejo e para discutir os fundamentos e estruturas do poder. (Evito perguntar ao meu eventual leitor de quantos mais se poderá dizer o mesmo.)

     Sei, ainda dá para falar com eles, que estão aí, com saúde e inteligência, e sei que gente como eu vai continuar a contar com eles. Repito que desejo tê-los perto por décadas ainda, mas não consigo deixar de me sentir um tanto órfão com as aposentadorias e derrotas recentes.


     Diria um latino, já de si uma figura de outra época: “Tempus fugit”. Bem isso.

O GRINGO MANTEGA

Enquanto a maioria dos seus pares pisou em ovos e se esforçou ao máximo para cumprir a fachada da imparcialidade no curso da eleição recém finda, Moisés Mendes fez a diferença. Bateu de frente quando os desafios de abordagem viram-se cercados por todas as patrulhas e quando a opinião pública entornou o caldo da intolerância e da má educação. Não é diferente agora, em meio à baixaria pós resultados. Reproduzo, na íntegra, sua coluna publicada em ZH desta terça, 29/10/2014, que é um exemplo de inteligência e fino trato de matéria que é jornalística e de interesse geral.

    Pretendia escrever sobre os ataques aos nordestinos. Eles escaparam dos holandeses, ainda tentam escapar dos coronéis, da seca e dos racistas em geral. Agora, têm que se livrar dos reacionários do Sul. Que sina. As avós dos agressores deveriam chamá-los para uma conversa. Para falar dos ancestrais, das dificuldades que passaram, por que vieram parar aqui (geralmente porque não tinham nem onde morrer) e por que nenhum de seus descendentes deveria discriminar ninguém. Não seria uma lição de História, mas uma singela aula de dignidade. Mas aí também não se sabe se seria ouvida ou entendida.

     Como disse seu Mércio, o guardinha aqui da Zona Sul: nessa eleição, eu vi nas redes sociais muita briga por pedaço de pau como se fosse osso. Não vou escrever sobre a retomada do massacre contra os nordestinos, porque estaria jogando mais osso no pátio das redes sociais. Vou escrever sobre Guido Mantega, o imigrante italiano que contribuiu para a redução das desigualdades no Brasil.

     A família de Mantega veio de navio para cá em 1951. Ele tinha três anos e meio. O pai, Giuseppe, fazia móveis em Gênova. Queria prosperar em São Paulo e prosperou. O filho deveria cuidar da fábrica depois de formado em Economia, mas decidiu estudar mais e ser militante político. 

     Mantega foi o formulador dos primeiros programas do PT. Esteve ao lado de Lula em todas as derrotas e finalmente virou ministro em 2006, mas só porque Palocci caiu. Hoje, você olha para o ministro e pensa: ele e Patrícia Poeta estão com os dias contados. Mantega deixará a Fazenda no segundo governo Dilma. Mas Mantega continua lá (assim como já avisaram que Patrícia não será mais a parceira de Bonner no JN, e a moça está ali, bela, altiva, cumprindo sua missão até o fim).

     A revista britânica The Economist, bíblia do liberalismo econômico, pediu há dois anos a cabeça de Mantega. Algozes e vozes do mercado pedem a cabeça dele todos os dias, e com agressividade. Mantega deu lógica ao projeto lulista de fazer crescer renda, emprego e consumo pela criação de um vigoroso mercado interno. Os pobres brasileiros passaram a comprar carro e a viajar de avião. Mas a economia parou de crescer. Os incomodados com os pobres que invadem aeroportos e shoppings (e agora ainda podem virar doutores) tiveram então o pretexto da estagnação.
Mantega vai cair, depois de oito anos. Sua cabeça pode acalmar o mercado.

     Quando já sabia que seria demitido, no meio do tiroteio da eleição, o ministro teve o desprendimento de aceitar um debate ao vivo na Globo News com o candidato a ministro da Fazenda tucano Armínio Fraga. Como um debate como aquele poderia ser bom para ele e para o governo? Pois Mantega foi debater com Armínio, apenas pretendente ao posto que não seria mais dele. E uma semana antes da eleição, em defesa da moeda, avisou ao mercado que todos os que conspirassem contra o real se dariam mal.

     Nunca vi, nunca entrevistei, nunca passei perto de um lugar em que estivesse Guido Mantega. Mas me convenci de que desempenhou sua missão como ministro com integridade. Dizem que pode ser embaixador na Itália, para onde voltaria 50 anos depois da viagem de navio para o Brasil. Pela trajetória, porque é odiado pelo mercado e por tudo o que fez para contrariar os interesses de quem se esbaldava com os juros altos, às custas de todos nós, certamente não irá para o setor financeiro – como acontecia nos velhos tempos.

     Que seja um grande embaixador. O gringo Guido Mantega me representa.

LAVA JATO OU FORA PT?

A tensão eleitoral não apenas cresce em função do debate proporcionado pela propaganda em curso. No início desta semana, coincidindo com a largada para o segundo turno, vazaram na íntegra os depoimentos da chamada delação premiada. Acho que as posições e definições são legítimas e naturais do processo. Porém, honestamente, em nome do senso de equilíbrio que nos resta, é preciso denunciar que a cobertura da grande mídia, neste caso, para dizer o mínimo, é desequilibrada. Sempre acho que a notícia, no Brasil, é pobre em contraponto. Mas, definitivamente, estamos frente à seleção de trechos dos depoimentos que interessam divulgar. Numa passada rápida pelas redes sociais, percebi que o tema está bombando e há depoimentos de norte a sul condenando a divulgação e questionando sua legalidade. Sem querer me alongar no tema – até porque o foco do blog não é bem este, indico o texto do jornalista Luis Nassif, há tempos, uma voz dissonante da mediocridade geral da grande mídia.